Cartas
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COMO ENTRAR EM UK?
Olá,
Gostaria de obter mais informações sobre a entrada de brasileiros na Inglaterra.
Quanto ao visto de turista, o que preciso ter para passar na imigração e ganhar seis meses de visto?
Conheço uma família em Norwich e eles estão dispostos a ajudar-me a entrar no país da melhor forma possível oferecendo acomodação e trabalho na casa.
Minha pergunta é: O que eles poderiam fazer por mim? Gostaria também de obter informações quanto ao visto de estudante.
Grata pela atenção.
Fernanda Mello
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BN -
Olá Fernanda,
Vamos primeiro ao visto de turista. Não há nada que os seus amigos possam fazer para garantir o seu visto de turista. Como o termo diz, turista é a pessoa que passa temporariamente por um país para visitar pontos turísticos, sem qualquer tipo de vínculo com este e que traz, ou tem acesso, a fundos que custeiem a viagem. A existência de uma estrutura social para você aqui levará o Immigration Officer a investigar com maior critério a sua intenção e motivação de voltar para o Brasil. Isso quer dizer que, dentro do cenário que você descreveu, você deverá estar preparada a comprovar que possui fortes elos com o Brasil, tais como estudo, trabalho, marido, filhos etc.
O possível trabalho é fora de cogitação, pois o turista não tem permissão de desenvolver qualquer tipo de atividade, ainda que não-remunerada, voluntária ou como trabalho beneficente. A mera possibilidade de um trabalho ou qualquer atividade aqui levará o Immigration Officer a negar o visto de turista.
Quanto ao de estudante, se estiver matriculada em curso acima de 6 meses pode trabalhar 20 horas por semana, porém deverá comprovar que pode se manter independente do trabalho.
A acomodação pode ser oferecida por residentes no Reino Unido, mas peça confirmação por escrito do que eles estão oferecendo, por quanto tempo e por qual preço. Esteja preparada para o fato de que o Immigration Officer irá contatar seus amigos para checar os detalhes da carta.
Além disso, você deverá estar matriculada aqui antes da chegada e deverá apresentar na entrada a carta da escola confirmando sua matrícula e duração do curso.
Boa Sorte.
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VOU TER UM FILHO NA INGLATERRA
Caros amigos da brasil.net,
Decidi escrever pois estou passando por sérias dificuldades que não sei como resolver.
Estou na Inglaterra com visto de estudante há dois anos, meu visto termina em janeiro do ano que vem. Até pouco tempo tive um relacionamento com um inglês de quem estou grávida de quatro meses. Nós terminamos, mas ele (graças a Deus) não se opõe a reconhecer a criança.
Se puder evitar eu prefiro ficar aqui, pois não quero voltar para o Brasil com uma criança no colo. Depois do nascimento do meu filho, qual seria a minha situação na Inglaterra? Eu tenho algum direito? Qual a chance de darem um visto para minha mãe vir me ajudar?
Nome não fornecido
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BN - Cara leitora,
O seu filho terá a nacionalidade inglesa se a paternidade for reconhecida pelo pai, ou comprovada judicialmente.
Mas os direitos da criança não são extensivos aos pais, portanto o seu status na Inglaterra não se altera com o nascimento da criança, ainda que ela seja inglesa.
Procure o Social Service e peça o Child Benefit, que seu filho terá direito, mas você deveria continuar renovando o visto de estudante.
Porém, caso o seu visto seja negado e o Home Office peça que você deixe o país, se for comprovado que a criança tem contato regular com o pai e, especialmente, que recebe assistência emocional ou financeira deste, você poderá defender sua permanência aqui com base no artigo 8 da Lei de Direitos Humanos, que protege o direito à vida em família do seu filho.
Quanto a vinda de sua mãe, não há previsão na lei de imigração inglesa para a visita a título de ajuda. Ela poderia vir como turista. Nesse caso, sugiro que leia com atenção a resposta à carta de Fernanda Mello e consulte um especialista em imigração (veja página 40, na Agenda Londres).
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ASILO EM DEBATE
Um parto difícil para a Europa
Algumas semanas atrás um acontecimento singular atraiu a atenção do povo que transita pela Bond Street, uma das ruas mais movimentadas de Londres.
Na verdade, acontecimentos "singulares" para a maioria do mundo são ocorrências comuns em Bond Street e em suas imediações. Afinal, o fluxo de pessoas de todas as origens étnicas, credos e castas é intermitente. Basta aguçar os ouvidos e escutar o sibilar confuso de diversos idiomas, falados ao mesmo tempo.
Entretanto, fomos todos pegos de surpresa. Perto do meio dia, num dia claro de verão e relativamente quente (graças a Deus pelos pequenos favores), encostada em na vitrine de uma grande loja de departamentos, havia uma mulher acompanhada apenas por duas crianças. Entre agonia e medo ela gemia entredentes em estágio final do trabalho de parto.
"It's just a bloody Gipsy!" Alguém exclamou para satisfação dos curiosos que não conseguiam ver o espetáculo. De fato, o que se via era a outra face da Europa.
O problema dos exilados na Europa não é recente e vem se agravando nos últimos 10 anos, sendo que grande parte desses refugiados são europeus vindos do leste.
A lei que protege refugiados na Inglaterra e em outros países desenvolvidos da Europa é um daqueles infortúnios que ao serem criados já estão obsoletos. A maneira como está sendo repensada parece ser mais um retrocesso do que um avanço. No mês de junho, entre Gold Jubilee e Copa do Mundo, passou desapercebida a mudança da lei dos exilados. De agora em diante, o indivíduo que tiver seu exílio negado não poderá apelar e poderá ser deportado do aeroporto mesmo.
As razões para mudanças tão bruscas são prementes. O Estado, atolado num mar de burocracia, ceticismo e ineficiência, não consegue integrar esses indivíduos de forma sociável e suportável. Os empregos oferecidos são considerados inumanos e os salários são baixíssimos. Os resultados são óbvios: aumento da violência, desemprego, prostituição, uso de drogas e, o pior de tudo, aumentam as políticas nacionalistas da extrema direita, que usam fatos reais para contar estórias irreais.
...No meio de tudo isso, lembro que só ouvi o soar de uma ambulância muito, muito tempo depois... após o final do parto.
João F. Costa
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BN - Caro João,
Ouvimos falar de exilados e imediatamente pensamos que não temos nada a ver com isso. Afinal, a maioria de nós brasileiros está aqui como estudante, turista ou casado(a) com um europeu. Embora nem todos tenham vindo apenas para conhecer o Big Ben, nem todos freqüentem as aulas que pagam a cada seis meses, nem todos morram de paixão pela wife ou husband que, em alguns casos, adquiriram (shhh.... fala baixo).
A verdade, porém, é que apesar de obtermos visas diferentes, dividimos com a maioria dos refugiados a mesma realidade de pobreza e deteriorização social em casa. Como eles, recorremos ao Primeiro Mundo em busca de socorro e de uma oportunidade na vida.
Nessa questão é fundamental fazer a distinção entre o exilado político, que a Convenção de Gênova adotada pela Europa protege, do refugiado econômico, que procura o país exclusivamente pelo incentivo econômico, e que não está sendo perseguido pelo governo ou agentes do governo em seu país.
O que a Europa enfrenta é a impossibilidade de lidar com a massa de refugiados econômicos que usam a alternativa do exílio político como forma de ganhar entrada no país de destino e acesso aos benefícios sociais.
O leitor parece misturar o exilado político com o refugiado econômico, cujo visto está fadado à recusa, que usufrui da assistência do governo enquanto espera meses pela resposta do Home Office.
Contrapondo à "vulnerabilidade" dos refugiados econômicos que pedem exílio político, temos os brasileiros estudantes, ou ilegais, que estão no mesmo barco, mas não recebem ajuda do governo e nem por isso caem na violência ou na prostituição. Ao contrário, caem no trabalho e talvez por isso mesmo cheguem a algum lugar. A quantidade de anunciantes na BN e em outros periódicos brasileiros é evidência de lutas individuais.
Cabe ainda lembrar que a possibilidade de integrar a massa de refugiados emergentes do Terceiro Mundo é tão complexa quanto a acolhida dos migrantes brasileiros no eixo Rio/São Paulo. O fato é que não deveríamos estar sobrevivendo aqui, em primeiro lugar. Não deveríamos ter que sair do nosso país para sobreviver. Muitos não teriam que deixar o país que amam se fosse dado a estes países uma chance de se desenvolverem.
Agradecemos ao leitor por ter trazido um tema tão atual, sensível e muito controverso.
Entre você também no debate: www.brasilnet.co.uk
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