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Multiculturalismo e Racismo na Sociedade Britânica |
Não é impressão exagerada dizer que a coisa mais difícil na Inglaterra é fazer amigos ingleses.
A Comissão pela Igualdade Racial (Commission for Racial Equality) confirmou que a atitude de isolamento do inglês é real e, em relação às minorias raciais, atinge quase toda a população. Em sua última pesquisa, publicada em julho, foi constatado que mais de 90% dos ingleses brancos não têm nenhum amigo ou qualquer relacionamento próximo com negros, árabes e asiáticos.
Há 40 anos, para gerenciar um fluxo migratório maciço, associado à necessidade de introduzir imigrantes em massa no Reino Unido, a sociedade política britânica resolveu adotar a filosofia multiculturalista, segundo a qual cada um terá assegurado por lei o direito de preservar suas características culturais dentro da sociedade. O direito de expressão cultural passou a ser uma política consistente, estimulada e apregoada em larga escala.
A frase "celebrar diferenças" foi martelada por políticos e intelectuais, especialmente na última década.
Porém, longe de criar uma sociedade aberta, o multiculturalismo institucionalizado no Reino Unido falha na medida em que reforça e esforça-se por manter as diferenças.
Atualmente, um número cada vez maior de políticos questionam a sabedoria de incentivar uma política que nada mais faz do que estimular separações entre segmentos raciais.
Celebrar diferenças, mais do que tolerância, pode transformar-se também numa maneira de manter estrangeiros segregados em seus próprios guetos, conduzindo a uma sociedade dividida e racista na medida que, isolando a população local, nada assimila de outras culturas, sem também abrir-se para incorporar indivíduos de outras raças. Numa maneira às avessas de, tolerando diferenças, manter a própria 'britanicidade'.
O Presidente da Comissão, Trevor Phillips, declarou: "É surpreendente quão pouco o grupo majoritário (brancos) conhece das comunidades minoritárias, como se vivessem em países diferentes." Alertou que a falta de conhecimento e identificação torna a população britânica vulnerável a discursos reacionários e propaganda racista. "No que se refere a raça e religião, claramente está-se lidando com diferenças com as quais a população local nunca teve qualquer contato e não é de surpreender que construa noções erradas acerca de negros, ciganos e muçulmanos".
Mas até onde a política de estimular diferenças não tem contribuído para dificultar a integração das diversas raças e culturas? Ao que tudo indica, a dificuldade de identificação com outras culturas não é um fenômeno exclusivo entre os brancos, mas também entre os grupos minoritários, que também não conseguem estabelecer pontos de identificação entre si.
Sob essa ótica, a atitude do governo francês, de abolir o uso de qualquer símbolo religioso nas escolas públicas, como o véu para as mulheres muçulmanas, tão discutida e criticada, talvez tenha sido o primeiro passo positivo para evitar que a sociedade seja compartimentalizada por religiões, abrindo à geração nova a possibilidade de integrar-se efetivamente à cultura do país em que nasceu e que os ancestrais adotaram para viver.
O discurso do Presidente da Comissão pela Igualdade Racial desconsidera que o fator básico em qualquer associação humana é a identificação. Isso torna-se impossível se o estrangeiro não faz qualquer esforço no sentido de compreender e absorver o que for possível da cultura local.
O processo de identificação e integração também se torna difícil se a população local não tiver liberdade para absorver o que for possível e rejeitar o que lhe for inaceitável. Infelizmente, a teoria multiculturalista impede esse processo de aceitação e rejeição, necessária nos relacionamentos humanos.
Políticas e teorias sociais institucionalizadas são por natureza contrárias à tendência natural do homem; se não fossem não seria necessário institucionalizá-las. E, assim como na história tais programas e teorias levaram a excessos lamentáveis, tais como o nazismo e fascismo, assim também o multiculturalismo com sua "celebração das diferenças", depois de 40 anos, pode estar sendo responsável por uma sociedade desengajada e segregada, sutilmente mais racista.
A partir dessa pesquisa, grupos minoritários poderiam também refletir em sua inabilidade de adaptação e nas possíveis conseqüências dessa inabilidade.
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Seguindo a Carreira |
A droga êxtase está sendo superada, ficando na história como a recreação do século passado, ao lado de outros modismos, tais como os sapatos de plataforma dos anos 70, as meias com sandália e as ombreiras dos anos 80.
Durante os anos 90, o êxtase foi a droga recreativa por excelência. Inexoravelmente ligado à cultura das raves e dos clubes, apesar de ser considerada Classe A, não foi associada ao crime como outras drogas mais pesadas. O preço mais baixo e a facilidade de aquisição popularizou a droga entre adolescentes e tornou-o indispensável na curtição da noite.
A tendência está mudando. Nos primeiros anos desse milênio a cocaína definitivamente se impõe como a droga mais popular nos clubes britânicos, sendo considera uma droga mais limpa e mais cool entre a faixa etária que antigamente contentaria-se com o êxtase.
A mudança deve-se à vertiginosa queda nos preços da cocaína, que despencou de £100 a grama nos anos 90 para os atuais £40, tornando-se agora mais acessível às faixas etárias mais baixas.
Uma grama de cocaína rende de 10 a 20 carreiras e, por ter efeito mais rápido do que o êxtase, a cocaína dá a impressão de que se tem mais controle sob o efeito.
A longo prazo o controle é discutível, pois o efeito colateral da cocaína é a depressão, e é comum recorrer-se ao high da cocaína para livrar-se do low que a droga proporciona.
O preço proibitivo no passado tornou a cocaína uma droga de elites e, além do efeito altamente estimulante, no momento ainda é símbolo de status, razão pela qual está facilmente tomando o lugar de drogas menos sofisticadas.
Esse foi o resultado publicado na edição de julho do jornal Forensic Science International. A notícia alarma o governo de Tony Blair e aponta para o fracasso do Labour Party (o partido do governo) no combate ao tráfico e à criminalidade.
Blair, que prepara-se para eleições gerais no ano que vem, vira a casaca liberal tradicionalmente adotada por seu partido, prometendo medidas radicais contra a criminalidade.
Depois de dois termos de governo e um resultado alarmante, a promessa soa populista.
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